quarta-feira, novembro 14, 2007

Disco do Ano


















odp tem passado muito do seu tempo a ouvir o último (e novo) Robert Wyatt: Comicopera. Comprei às cegas, às surdas, como é hábito (aqui no mosteiro), um pouco desconfiado (mas já é "feitio"...) com tanto destaque (hum, capa e tudo...) e promoção (pela editora da moda...).
Em vão, debalde, etc. A entrada, a bateria do "mestre de cerimónias", dá o "tom", e bastam (chega!) 5 ou 10 segundos do mais puro dos "sons" (obrigado Anja...) para, ao fim da primeira repetição do primeiro "somewhere", ajoelhar (e acender a vela...) no altar do santo (e respectiva esposa...) do divino progressivo depressivo.
As you all know by now... o disco, a ópera, divide-se em x=3 actos. O primeiro (cinco temas em desfecho instrumental) é perfeito. O segundo, musicalmente mais heterogéneo, nada (ao primeiro) lhe fica a dever. Emoções à flor da pele em montanha russa (high and low...) da euforia (maníaco-depressiva) à mais profunda (e deliciosamente reconfortante...) depressão. Out of the Blue (alguma coisa - que não o Eno...) a terminar o segundo acto ("the here and the now") é uma das mais radicais e devastadoras músicas de RW (Something unbelievable has happened to the floor...), e uma "experiência" sónica, que por esta altura... já não esperava (toma lá que é para aprenderes a não seres "choninhas", coninhas!).
O terceiro acto, também "oscila", e vai a "fraquejar" (isto para quem já "fechou" discos com Song For Che, The Whole Point of No Return, La Ahada Yalam, ou mesmo The Verb...) no "prolongado" solo (Pastafari) de... vibrafone... e, no "finalzinho" da versão para Hasta Siempre Comandante... Nada de grave... nada que não seja mais que "compensado" pela belíssima versão para a Itália (níssima!) Del Mondo (a "abrir" o terceiro acto e a suceder à mencionada Out of the Blue...) ou pelo "achado" da melodia "encontrada" para "musicar" o poema Cancion de Julieta do Espanhol (íssimo!) Poeta Lorca.
Um dos melhores, senão o melhor disco, da "longa e extraordinária" carreira de Robert Wyatt.
Evidentemente...

quinta-feira, novembro 26, 2009

Top 00-09

... sem espinhas:

Sparks, Lil'Beethoven / Hello Young Lovers (2002/2006)

irmãos inseparáveis
são (e vão) dois

Tom Zé, Jogos de Armar (2000)

"Faça voçê mesmo"
"(não é) música do século passado"

LCD Soundsystem, LCD Soundsystem (2005)

bolimétrica, espelhada
(electro) pop pós-moderna para pista de dança

Brian Wilson, Smile (2004)

o rei dos disco pe(r)didos
e o resto é história

Robert Wyatt, Comicopera (2007)

no amor e na guerra
Hasta siempre, comandante

Ali Farka Touré & Toumani Diabaté, In The Heart of The Moon (2005)

os ponta-de-lança de uma excepcional selecção Maliana
a humanidade inteira numa rodela de plástico

Robert Forster, The Evangelist (2007)

sobre a perda - a morte - de um amigo
como a perda de um membro (querido)

... outros filetes:

Stephen Malkmus, Stephen Malkmus (2001)

a reinvenção da maior (?) invenção dos anos 90
agora a solo...

Toothfairy, Formative (2005)

DIY, YMG para o século XXI, Almocrético

The Red Krayola, Introduction (2006)

Dinossauro é a tua tia!

Beth Gibbons & Rusty Man, Out of Season (2002)

out (of the blue)
and out (again)

(Emily Haines, Anja Garbarek, Missy Elliott... Giant Sand (Howe Gelb), Richard Hawley, Wilco... Randy Newman... e tantos e tantos outros... só não me peçam é para aturar top's imberbes de bandas de betos de colete e outras bundinhas engravatadas em patilhas oleosas armadas ao pingarelho... "flipside"...)

sexta-feira, setembro 08, 2006

"Fazer Sentido"

A pergunta é muito interessante, mas será que a arte nos pode ajudar a "fazer sentido", nessa perspectiva tão directa e "literal"?
Quando o David Byrne "lançou" o "Grown Backwards", falou sobre a influência do 9/11... sobre a "função" da arte, e sobre a maneira como os artistas poderiam "incorporar" ou reflectir a "experiência" da tragédia (e as suas consequências…), nas suas obras.
E (também) por isso, terá composto pequenas peças “clássicas” à maneira do Ivor Novello (rever o Gosford Park do Robert Altman), e decidido interpretar pequenos trechos de ópera (“proto-pop”), e… etc. O melhor é voltar a ouvir.
Poder-se-ia também escrever sobre o “Cuckooland” do Robert Wyatt…
A resposta do Harold Bloom é absurda!

domingo, fevereiro 03, 2008

Privatise

A (di) gestão do Bolhão, a privatização da Conceição, a privatização encapotada da pontinha...

Privatise
next
the air force
then the police force
Royal Family
let them be
private at least.
Set them free.
Let them go home.
Save a bomb on union flags.

Privatise
the sea.
Privatise
the wind.
Don't just tinker
with unseeded cloud, you got to sell
weather itself.
Set it free.
Don't waste good air,
breathing isn't paying it's way.

N.I.O (New Information Order),
Dondestan (revisited), Robert Wyatt

sábado, julho 21, 2007

Maryan *

Salmon Coloured Man (Malia "Young Bones", Soul-Funk, Jazz... Nu-metal?...), Salmon Jump Suit (Youth Oriented...), The Salmon Song (Fish Rising... "espacial", Prog...), The Happy Salmon (Enghish Folk, Tradicional), Salmon Tails Up The Water (Irish Folk, Tradicional), Como el Salmon ("Des rimes dérape", Infanto-Juvenil), I Have Salmon Arms (Soft Canyon... Psychedelic Rock), King Salmon (Superlongevity, House), Mistress of the Salmon Salt (Blue Öyster Cult, Tyranny and Mutation, Rock, "70"...), Salmon (Quiet Celebration, Rock, ?...), The Salmon Leap (Old Blind Dogs, Tradicional, ?...), The Salmon Strikes (Dave Brubeck, Jazz "puro e duro"...), Salmon Falls (Harry Nilsson, imperdível...), The Salmon Dance...

* Shleep, Robert Wyatt

domingo, maio 20, 2007

B' jorkas

Mas quando é que os provincianos do Ípsilon (do Público) e do Cartaz (do Expresso) se deixam de entrevistas e de reportagens sobre o narizinho sexy da pimba (eu é que sou o Peter "World Music" Gabriel...) da Is-lândia e dedicam parte do seu e do nosso precioso tempo, à organização do necessário "dossier" (crítica, entrevista, etc.) sobre o último dos Micro Audio Waves? Estou a ficar enjoado com tanto servilismo aos (editores dos) grunhidos guturais da "diva" pós-marreca, pan-qualquer coisa... O "Debut" é um "mau disco"? Tu lá sabes miúda... até és capaz de ter (alguma) razão... o "problema" é que os outros (à excepção do homogénico "Homogenic") são - na sua irritante pretensão, ou falta de inspiração "pop" - bem piores. E essas "colaborações" (pela "soma" dos deuses todos do politeísmo...) com o não menos irritante Antony, ou com o genial Maliano "Kora" Diabaté, não lembram ao... Malino. Lá porque te embebedaste com o Robert Wyatt e sacaste um dueto com o velho mestre (do) Prog. no anterior medúlla não fiques a pensar que a coisa é de efeito garantido...The perfect balance between the vibrancy of her poppier work in the '90s and her experiments in the 2000s, indded... ou, como se diz em bom português (técnico), a inteligente "gestão de carreira" em (automática) auto-gestão, com recurso a uns nomes "alternativos" e mais ou menos "exóticos" para disfarçar o... déjà vu.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Mob Rule *

Plans were unveiled,
the press inform,
residents muttered their doubts and fears
at meetings.

A brace of councillors
voiced concern.
Some assent was murmured.

Whom to trust?
Who could know
just what that meant:
Expert?

People are so ungrateful,
it's quite hard on Chairmen.

Directors of Planning must be given
the right to make Plans.
Just as, say,
the woodworm
must bore.

So too,
Advisers must
Advise.

* Comicopera, Robert Wyatt

sábado, janeiro 03, 2009

dondestan












Palestine's a country
or at least
used to be.

Felahin, refugee
(Kurdistan similarly)
need something to
build on
rather like
the rest of us.

Palestine's a country
or at least
used to be.

Felahin, refugee
(deportees similarly)
need something to build on
rather like the rest of us
got.

Dondestan, dondestan (revisited), Robert Wyatt

quinta-feira, maio 17, 2007

Grass

And She Was, Little Creatures, Talking Heads

Grass, Skylarking, XTC

Green, Green Grass of Home, Tom Jones

Green Grass, Real Gone, Tom Waits

Grass, Nothing Can Stop Us, Robert Wyatt

quarta-feira, janeiro 28, 2009

74

um ano notável
Kraftwerk, Sparks, Roxy Music, Neil Young, Richard and Linda Thompson, Robert Wyatt...
é bom saber que desse lado também gostam de muitos dos meus favoritos (nalguns casos, do disco favorito, de alguns dos meus músicos favoritos...)
ausência (e assim à primeira reviradela pelas prateleiras...) só mesmo o Veedon Fleece do (muito esquecido) Van Morrison
por cá foi o ano do Coro do Tribunais (e só quem nunca ouviu o disco com ouvidos de ouvir pode julgar que se trata de um disco "menor"...)

domingo, junho 17, 2007

... e assim mo vão levando a pouco e pouco

Inédito dos velhos amigos Robert Wyatt e Brian Eno numa treta qualquer de um disco sobre "pragas", encomendador...

sábado, agosto 02, 2008

Warchitecture

A "modéstia" da arquitectura "neo-realista" de inspiração caseira e/ou nórdica dos "verdes anos" foi a melhor resposta da (melhor) inteligência da (melhor) arquitectura europeia da década de 50 aos traumas da Segunda Grande Guerra, às necessidades de reconstrução (ou "apenas" de expansão) das cidades europeias, e aos igualmente necessários (re) "equilíbrios" sociais da "guerra fria". (A globalização, o "franchising-nação", do modelo corbusiano das unidades de habitação mai-las respectivas "ruas no ar", foi a pior de todas as... "receitas"...)
Ao contrário de outras manifestações, veja-se na música a obra mais recente de Neil Young ou Robert Wyatt, a arquitectura (ou "apenas" o seu "discurso"...) permanece estranhamente imune à realidade da guerra.
Qual é a resposta da actual arquitectura europeia à actual (des) ordem mundial (da nova guerra fria) da "guerra ao terror"?
Receio bem que a adopção das novas mega-estruturas ensimesmadas e as fantasias belicistas do Kualhas não nos levem a lado nenhum...

sábado, outubro 06, 2007

rascunho

... podia ter postado sobre o fim-de-semana "alargado"...
Neil Hannon VS Richard Thompson, Something For The Weekend VS I Feel So Good (I'm going to break somebody's heart tonight)... mas agora... agora é tarde demais

... podia ter postado para recomendar a "compra em grupo" (buy this together) do último do Kevin Ayers com o último do Robert Wyatt, mas agora... depois da recensão crítica no Sound+Vision (ao primeiro) e do destaque (hum, capa e tudo...) na Actual do Expresso para o segundo... agora é tarde demais

... podia ter postado sobre o aborrecimento... e linkar para... linkar também... para o vídeo do Being Boring dos Pet Shop Boys no You Tube (deve haver um...), mas agora... que aborrecido... agora é tarde demais... (não é?)

terça-feira, janeiro 23, 2007

2 (duas)












Perfilados de Medo de "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" de José Mário Branco e To Carla, Marsha and Caroline (for making everything beautifuller) de The End Of An Ear de Robert Wyatt.

terça-feira, novembro 07, 2006

Was a Friend # 1

Funny kind of greeting, not exactly hostile

Was a Friend, Shleep, Robert Wyatt

segunda-feira, setembro 11, 2006

... What can it mean, such gravity without a center? *

Muito curiosa a planta da casa para Sintra do ASV, reproduzida no JA 224. Curiosa ou "surpreendente e inesperada", como afirmam, na pergunta, os "entrevistadores".
E não sei porquê é que seria (será?) "surpreendente" ou "inesperada", no percurso, ou no conjunto da obra, do seu autor... Não me parece nada... mas adiante.
Queria apre(e)nder-lhe os segredos da composição, talvez os "traçados reguladores" (se os tiver), mas ou muito me engano, ou o "animal" está enxameado de truques, destinados a iludir esse tipo de leitura... ainda por lá sobram uns alinhamentos de umas paredes das "celas", entre lados opostos, da (mais que partida) "espinhela circulatória", mas a angular "desarrumação", na arrumação à topografia (e, estou certo, à "paisagem") fazem o resto... fazem-me falhar o "resto".
O ASV, fala em "tecidos africanos" e em "desenho não arquitectónico", mas também (o "manhoso"), nas "origens da arte moderna".
O que eu pergunto é o seguinte: "What does it mean, such gravity without a center?"

* Free Will and Testament, Shleep, Robert Wyatt

sexta-feira, julho 14, 2006

La Ahada Yalam (No-One Knows)












Cuckooland, Robert Wyatt

domingo, março 19, 2006

In-telectó-fobia

Olha-me este :) a querer ser mais despropositado que o outro :) não há que ter medos... muito menos de "dizer algo intelectualmente válido" :) mas deixem-me perguntar, como é que um simples mortal sabe quando é que está a dizer algo de intelectualmente (não) válido?
What kind of spider understands arachnophobia?
(Free Will and Testament, Shleep, Robert Wyatt)

terça-feira, dezembro 06, 2005

Minimalista

"First of all, i am a real minimalist, because i don't do very much. I know some minimalists, who call themselves minimalist, but they do loads of minimalism. That is cheating. I really don't do very much"

Robert Wyatt