terça-feira, janeiro 09, 2007

Iguais aos Outros

"Nós somos o que somos, e bastantes bons quando trabalhamos nesta condição, com os meios que temos, com o que sabemos. Quando queremos ser iguais aos outros, quando queremos ser holandeses, suíços, o que acontece é a caricatura (...)"

Pedro Maurício Borges, Arquitectura e Vida, N.º 77, Dezembro 2006

Ora, é mais ou menos o que eu ando para aqui a dizer há um porradão de postas, mas como PMB ganhou o Prémio Secil, pode ser que lhe dêem ouvidos. Agora, não basta dize-lo... é preciso... "exerce-lo", até porque, e na prática, o projecto para a Capela de Santa Filomena, Lugar de Netos, Ferreira-a-velha, Figueira da Foz, que (rima e é verdade) "ilustra" a entrevista, não anda muito longe das "sensíveis" e "telúricas" arquitecturas suíças e holandesas. Também é "Chã", i é Siza (ie, ie, ie), mas o pequeno cubo com cobertura inclinada de duas águas, proposto para a Capela, não "descola" da condição (escrava) da abstracção, comum a quase toda a arquitectura (posta) "corrente", conforme analisada por JF. Se o objectivo é, como parece ser, o tão reclamado "diálogo", em forma de "vanguarda popular" (MGD...), com o "real", e neste caso em particular, com as moradias sub-urbanas, ou "sub-rurais" que lhe "compõem" a paisagem mais imediata, lamenta-se a falta de ambição do exercício, lamenta-se a falta de um "vocabulário" mais denso que "subisse ao (coração do) povo", antes de se elevar nas alturas da sua função, para maior salvação das almas...
Falta a esta arquitectura, e para citar o outro, fazer uma (auto)-crítica à poupança dos signos.

Conclusão em jeito de prescrição: uma dose (em injecções) de Luís Cunha.

(... enquanto isso, do outro lado da barricada, o jovem império da progressiva diacronia contra-ataca...)