quinta-feira, setembro 17, 2009

o tag exógeno *

(...) é assim: não podem perceber, vão à janela e vejam-me esses muros, as portas dos prédios, os candeeiros e o camandro, pá, lá está o meu tag, eu tou a deixar a minha marca nas paredes, e há uns gajos que sabem que sou eu, o Lencastre, o filho do coronel que riscou aquilo e que impediu a burguesia de ter ideias incolores contra os muros brancos, muro liso não tem expressão, os tags, atenção, atenção, não os grafitti, são vida e libertação, o grafitti amocha, faz o jeito ao burguês, tem harmonia, cores armado ao artístico, o tag não!, é pra desconstruir para emporqueirar e dar sobressaltos.
(...) escute, quando passo por um muro e deixo o meu rasto, o tag secreto e o tag exógeno, pá, é como aqueles gajos que libertam continentes inteiros (...)
(...) isto é vida, a nova cultura, o hip-hop, man, que lá fora, como é que é?, os museus tão cheios de hip-hop, só cá é que é esta merda tradicionalista, pequeno-burguesa, tudo certinho, tudo direitinho e o caraças, o que eu gostava, percebe, (...) era o dia mais feliz da minha vida era dar umas sprayadas na merda dos paineis de São Vicente e encher aquela bodega toda com o meu tag e repintar aquilo tudo que é um convite ao imobilismo e ao passadismo (...)

Fantasia para dois coronéis e uma piscina, Mário de Carvalho (com um grande pedido de desculpas ao autor pelos cortes no texto e pelos constantes atropelos e fuga do ODP à língua portuguesa)

* tag, o maior contributo desta espécie de humanos dos anos 2000 para o "purgresso" das ideias...

Para o João

4 Comments:

Blogger ana said...

:)))
purga ao purgresso

O MC, ora aqui está um caso que contraria o que esta disse no anterior:)

11:30 da tarde  
Blogger AM said...

em que medida? :)

11:55 da tarde  
Blogger ana said...

:)
jurista...

12:09 da manhã  
Blogger alma said...

:)Parabéns AM e João :)

como eu compreendo o Lencastre :)))

12:37 da manhã  

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