segunda-feira, março 06, 2006

As Coisas (não) Seguras

"As coisas não seguras" é a frase de Raúl Hestnes Ferreira, que MGD chama para titulo da sua "recensão crítica" (publicada na Actual do Expresso de 4 de Março), à exposição que "decorre" no ISCTE, e sobre a qual, por aqui ou por acolá, se têm vindo a falar.
(Ainda) sem visita, à exposição, mas com visita a muitas das suas obras... eu arriscaria dizer: "inquieto na pesquisa... mas convicto nas propostas". Porque independentemente do juízo de valor que se produza sobre as obras, é inegável a força que das mesmas emana, a confiança na manipulação das "matérias", excluídas de qualquer ambiguidade, para além daquela que resulta, depois da cristalização (petrificação) da "inquietação da pesquisa", na forma, "final". Definitiva. Fechada (e por isso mesmo, "aberta" à experiência individual). Porque se há coisa que a arquitectura de RHF (me) oferece, é "segurança", não a falsa segurança das soluções testadas, prontas a consumir (de que justamente se distância), mas da segurança, que é generosidade na oferta de um lugar para habitar... para (cada um) ser. Ao meu pensar (ao meu sentir), em todos os aspectos esta arquitectura se afasta da grande maioria dos "discursos" ditos e auto-proclamados da "contemporaneidade", que fazem "gala" da suas incertezas, em exibicionista afirmação da incapacidade de "contar uma história" com princípio meio e fim. Esta arquitectura, (embrulhada numa "pele" retórica, muitas vezes, simplesmente, incompreensível) ao contrário de "libertar" o homem, remete-o à condição de consumidor alienado, fascinado com o vazio da sua própria ignorância...
Não sei se já alguém questionou ou relacionou a "referencial" "arquitectura holandesa" com o país da produtora televisiva que exportou para o mundo o modelo do mais famoso dos "reality shows"... como sendo duas faces da mesma moeda.
... mas enfim, creio que já me afastei um pouco do tema... ou quem sabe, talvez não... seja como for, é urgente a visita.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Olha eu acho que a arquitectura do RHF oferece mais do que pede. Não quero ser mal interpretado, é claro que te pede muito... Mas não te exige uma coisa, que agora muita da arquitectura que se vai por aí fazendo exige: uma disponibilidade mais que especial de quem usufrui, tendendo assim a ser demasiado...quase diria...opressiva (isto salvo erro é um termo do Sóla-Morales não é?).
É poder deambular por estes ambientes e quase esquecer a arquitectura! E isso é bom, muito bom mesmo!

11:27 da manhã  
Blogger AM said...

parece-me que estás a querer discordar de qualquer coisa que eu escrevi, mas não consigo bem perceber qual é. um de nós não se está a exprimir bem, e adivinha qual é? :)
de qualquer modo concordo contigo, é uma arquitectura de tamanha generosidade, "que oferece mais do que aquilo que pede", até ao ponto de "desaparecer", mas sem que isso implique qualquer "debilidade" ou vergonha em assumir com grande vigor plástico as suas opções
também concordo que essas arquitecturas todas modernaças que se querem amigas do utilizador (user friendly) são mais opressivas que libertadoras

5:59 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home