Vítor Figueiredo (ESAD)
Na clareira de um pinhal tendo como "preexistência" a ruína do antigo Hospital de St.º Isidro, procurou-se para este edifício uma outra identidade e aceitou-se a sedução do belo e extenso pinhal.
O gesto, que define o projecto, começou por ser conceptualmente muito autónomo, quase anticontextualista, não buscando a construção de um "sítio", mas a qualificação de um lugar.
Arqt.º Vítor Figueiredo












Escola Superior de Arte e Design (ESAD), Caldas da Rainha
Projecto de Arquitectura: Arqt.º Vítor Figueiredo, com Eduardo Trigo de Sousa, Nuno Arrenga, Rui Marrafa, Teresa Almeida e Isabel Martins (1992/93)
Assistência Técnica à Obra: Vítor Figueiredo e Rui Ruivo (1994/97)
Prémio SECIL de Arquitectura 1998
Fotografias de 1999, digitalizadas hoje... espero que lhe possam (à obra e ao autor) fazer alguma justiça. Como (também) espero que todos saibam... a consulta das fotografias (como vem escrito nos "prospectos"...) não dispensa a visita e a experiência da obra...
A Escola Superior de Arte de Design é composta por dois longos corpos (dois "gestos") que correspondem a dois volumes (um "recto" e um "curvo") que albergam o "grosso" do programa da "instituição". Os dois volumes são articulados (no ponto de menor distância entre si, e axialmente com a entrada principal) por uma praça "baixa" iluminada zenitalmente e aberta à paisagem do "sedutor" pinhal envolvente; e ("deslocadamente"...) por uma "ponte" ("alta"...) que define um percurso (em "atalho"?...) para articular dois dos principais núcleos de circulação vertical dos dois volumes "principais", com o "edifício C". O volume do "edifício C" acomoda um anfiteatro e ajuda a conformar a "praça" junto à entrada principal. A obra contempla ainda a recuperação da ruína do "antigo Hospital de St.º Isidro", para instalação (entre outros compartimentos) do Bar/Refeitório e da Associação de Estudantes.
O "gesto", de uma aparente e enganadora simplicidade, "desmultiplica-se" como numa "fuga", perseguindo (todas) as possibilidades combinatórias (nomeadamente ao nível da "composição" e da exploração da tridimensionalidade das fachadas...) do "enunciado", introduzindo "sub-temas" (pátios, desníveis, "armadilhas"...) que evitam qualquer "esquematismo".
A relação, "quase anticontextualista" com a "antiga ruína", oferece espaços "intersticiais" de uma modernidade radical e "absoluta", nos antípodas de qualquer revivalismo pós-moderno de espaços exteriores "positivos", delimitados e... "encerrados". Cada "topo", (de volume, de superfície...) é o começo de uma nova maneira de olhar para a obra, de recomeçar a contar a mesma história, e uma diferente maneira de relacionamento com a paisagem do pinhal, também ela, uma outra forma de "preexistência"...
Por certo muito mais haveria para escrever... termino com as palavras do Presidente do Júri do Prémio SECIL 1998, o Arqt.º Alcino Soutinho: (...) inspirado numa originalidade feita de renúncias - uma arquitectura que recusa adjectivação inútil, a retórica, a tramóia formal (-) a lealdade exemplar, expressa em cada edifício de Vítor Figueiredo, sem cair em minimalismos redutores, constitui modelo gratificante de "o mal e o bem à cara vem" (...)
O gesto, que define o projecto, começou por ser conceptualmente muito autónomo, quase anticontextualista, não buscando a construção de um "sítio", mas a qualificação de um lugar.
Arqt.º Vítor Figueiredo












Escola Superior de Arte e Design (ESAD), Caldas da Rainha
Projecto de Arquitectura: Arqt.º Vítor Figueiredo, com Eduardo Trigo de Sousa, Nuno Arrenga, Rui Marrafa, Teresa Almeida e Isabel Martins (1992/93)
Assistência Técnica à Obra: Vítor Figueiredo e Rui Ruivo (1994/97)
Prémio SECIL de Arquitectura 1998
Fotografias de 1999, digitalizadas hoje... espero que lhe possam (à obra e ao autor) fazer alguma justiça. Como (também) espero que todos saibam... a consulta das fotografias (como vem escrito nos "prospectos"...) não dispensa a visita e a experiência da obra...
A Escola Superior de Arte de Design é composta por dois longos corpos (dois "gestos") que correspondem a dois volumes (um "recto" e um "curvo") que albergam o "grosso" do programa da "instituição". Os dois volumes são articulados (no ponto de menor distância entre si, e axialmente com a entrada principal) por uma praça "baixa" iluminada zenitalmente e aberta à paisagem do "sedutor" pinhal envolvente; e ("deslocadamente"...) por uma "ponte" ("alta"...) que define um percurso (em "atalho"?...) para articular dois dos principais núcleos de circulação vertical dos dois volumes "principais", com o "edifício C". O volume do "edifício C" acomoda um anfiteatro e ajuda a conformar a "praça" junto à entrada principal. A obra contempla ainda a recuperação da ruína do "antigo Hospital de St.º Isidro", para instalação (entre outros compartimentos) do Bar/Refeitório e da Associação de Estudantes.
O "gesto", de uma aparente e enganadora simplicidade, "desmultiplica-se" como numa "fuga", perseguindo (todas) as possibilidades combinatórias (nomeadamente ao nível da "composição" e da exploração da tridimensionalidade das fachadas...) do "enunciado", introduzindo "sub-temas" (pátios, desníveis, "armadilhas"...) que evitam qualquer "esquematismo".
A relação, "quase anticontextualista" com a "antiga ruína", oferece espaços "intersticiais" de uma modernidade radical e "absoluta", nos antípodas de qualquer revivalismo pós-moderno de espaços exteriores "positivos", delimitados e... "encerrados". Cada "topo", (de volume, de superfície...) é o começo de uma nova maneira de olhar para a obra, de recomeçar a contar a mesma história, e uma diferente maneira de relacionamento com a paisagem do pinhal, também ela, uma outra forma de "preexistência"...
Por certo muito mais haveria para escrever... termino com as palavras do Presidente do Júri do Prémio SECIL 1998, o Arqt.º Alcino Soutinho: (...) inspirado numa originalidade feita de renúncias - uma arquitectura que recusa adjectivação inútil, a retórica, a tramóia formal (-) a lealdade exemplar, expressa em cada edifício de Vítor Figueiredo, sem cair em minimalismos redutores, constitui modelo gratificante de "o mal e o bem à cara vem" (...)

4 Comments:
Não é a primeira vez que visito esta posta.
Conheço bem este magnifíco edifício e muitas das "lendas" que cresceram com ele.
Lembro-me das "angústias" do Arqº Vitor Figueiredo quando os caixilhos começaram a ceder...
Lembro-me das suas hesitações e dúvidas sobre a escala do anfiteatro.
Tantas coisas!...
Tenho adiado este comentário para tentar perceber até que ponto a "Verdadeira Arquitectura" passa tão ao lado dos habituais comentadores (anónimos ou não).
Nem um comentário!
Nenhuma inquitação perante esta obra "intemporal" e única.
Nenhum arrepio provocado pela coerente austeridade do edifício.
Nenhum desabafo, nenhuma critíca!
Estamos mal.
Esta mensagem foi removida pelo autor.
muito obg G.
Esta obra é simplesmente sublime. Tive opurtunidade de a estudar devido a um trabalho da minha faculdade e isso só me fez apreciar o quanto ela é intemporal!
belo artigo!!
abraços
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