quarta-feira, março 29, 2006

Ruptura

Ainda sobre esta posta...
... a questão é que quer os "condensadores sociais" à esquerda (e/ou as "unidades de habitação", "semeadas" na paisagem pelo politicamente ambíguo L.C.), quer os desenhos ditos neo-clássicos, ou neo-barrocos (ou serão "tardo"- Beaux Arts?) da direita (e em casos mais "patológicos" dos regimes totalitários da "extrema esquerda" e da "extrema direita"...), quer ainda as "experiências" dos Siedlungs nas democracias social-democratas ("entaladas" entre "os comunistas e os fascistas"...), apenas para simplificar (e muito) a diversidade das propostas, e "embarcar" nas armadilhas das equivalências entre "arquitectura e política"... a questão é que TODOS (e ainda há quem não acredite no Zeitgeist...), mas TODOS, convergiram no "tipo" de soluções para os problemas do crescimento, físico e demográfico, da cidade, em consequência da revolução industrial...
Soluções "higienistas", de "ruptura" com a "fábrica" urbana existente, considerada como inadaptável ao "inevitável" futuro da nova "cidade radiosa", e muito em particular, ao novo deus automóvel!
Para a "cumulativa" cidade "tradicional", ficava reservado o papel de prólogo ao "fim-da-história" (dessa história das cidades), em centros históricos exemplarmente "preservados" (no passado...) na "integra", ou segundo uma limitada (e "higiénica") selecção de "cromos", obtida à custa da descontextualização dos "monumentos" ("nacionais") e posterior reconversão à condição de "virgens" brancas.
No meio de tantas propostas "extremas", de "ruptura", e que algumas das fantasias "utópicas" do pós-guerra "desenvolveram" ao absurdo... desprezaram-se, como banais, as propostas de continuidade, que poderiam e deveriam ter "invertido" o rumo, evitando os "desvios" "contra-revolucionários", do PO-MO, em regressivos retornos (passe a redundância) ao velho "novo urbanismo" e as, igualmente "patológicas", afirmações (de virilidade?) dos novos "super-modernos", para quem a "ruptura" e a "descontinuidade" são um dado adquirido... do seu "status" de super-homens!
... para descer à terra, e oferecer um exemplo... "Olivais" e especialmente "Chelas", "depois" de Alvalade...?!
No "nosso" tempo e mais uma vez, os discurso "radicais" (essenciais a uma carreira académica de sucesso e/ou à publicação dos projectos nas revistas da "ordem"...) prevalecem sobre qualquer inteligibilidade pelo "homem da rua", que como é obvio não percebe nada da Polis, da Urbe ou da Civitas...!
E por outra vez, e como aconteceu com a vulgarização burocrática dos generosos ideais modernistas... os "discursos" são apropriados pelo Homem do Capital, que ao contrário do Homem "Vulgaris", sabe tudo o que há para saber sobre todos os assuntos...
É suposto o arquitecto, desempenhar, "aqui" um qualquer papel... para além do papel de "agente" fascinado com as possibilidades expressivas da "desordem"... ou não?